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Em termos ajustados, como o dólar se comportou nos últimos 22 anos?

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Gráfico principal

Descrição

O primeiro gráfico no Mono sobre a saga do dólar deu alguma repercussão. Alguns apontaram para as políticas cambiais de 1994 ao começo e 1999, quando o governo interferia no câmbio. Outros apontaram para a necessidade de uma comparação ajustada pela inflação - não apenas com os valores nominais como foi feito. Minha intenção foi mostrar a volatilidade do dólar em valores nominais desde a entrada em vigor do Real, em julho de 1994, e não apontar para as políticas do Banco Central nem para o poder de compra da época.

Todavia, foram colocações muito pertinentes, que acho que deveriam ser respondidas. A primeira foi respondida com uma atualização do post anterior. Neste gráfico, tento responder a segunda.

Nele constam os índices de Taxa de Câmbio Real (TCR) e Taxa de Câmbio Real Efetiva (TCRE). Como eles são índices, há um valor base comparativo - neste caso 100 para junho de 1994, quando o dólar foi estabelecido em 1:1 com o real.

A primeira taxa é “definida como a taxa de câmbio nominal corrigida pelo diferencial de preços internos e externos entre dois países/moedas”, de acordo com a metodologia do BC. Já a segunda, a TCRE, “pode ser definida como uma média de taxas de câmbio reais, frente a cada um dos países pertencentes a uma determinada cesta, ponderada pela participação de cada país no total da referida cesta.”

Podemos ver que, se considerarmos apenas a taxa real, o real agora está praticamente pareado com dólar em 1994 (um pouquinho mais barato).

No entanto, se considerarmos a taxa real efetiva, que o BC considera como uma análise “aprimorada”, segundo sua metodologia, o dólar ainda continua mais caro nos últimos 22 anos - embora aparentemente em queda.

Os dados, no entanto, vão apenas até dezembro de 2016 - ainda não havia dados de 2017 à época da publicação desta página.

Para fazer sua própria análise entre datas e valores do índice, o Volt publicou um gráfico interativo neste link.

Referências

Nota

A cesta de cálculo da TCRE é composta pelos 15 países elencados abaixo, os quais representaram 66% do total exportado pelo Brasil no período 2004 a 2006:

país peso
EUA 28,8%
Argentina 12,5%
China 8,9%
Países Baixos 7,3%
Alemanha 6,3%
México 5,3%
Japão 4,3%
Itália 4,3%
Chile 4,3%
Rússia 3,4%
Reino Unido 3,2%
França 3,2%
Bélgica 3,1%
Espanha 2,8%
Coréia do Sul 2,3%